Lacuna na Contabilidade Pública
O Instituto Social Íris perdeu no dia 11 de julho um importante colaborador, o professor José Francisco Ribeiro Filho deixa uma grande lacuna na contabilidade brasileira, ramo que teve dele uma valiosa colaboração
O grande entusiasta pela carreira acadêmica graduou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Católica de Pernambuco, em 1982 e em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1990, concluindo mestrado em Ciências Contábeis pela Fundação Getúlio Vargas - RJ três anos mais tarde e doutorado em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo em 2002. Dentre tantas atividades, o profissional "multitarefa" foi professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco, Coordenador do Mestrado em Ciências Contábeis da UFPE, Membro do Conselho Editorial de diversos periódicos e revistas, tais como a Revista de Contabilidade e Finanças (FEA/USP), Brazilian Administration Review (BAR), Revista Brasileira de Contabilidade, dentre outros.
Companheiro de profissão de Francisco Ribeiro de longa data, o professor Lino Martins, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lamentou a perda do amigo "sem dúvida, esta é uma perda irreparável para a Contabilidade brasileira. A sua dedicação ao estudo e o comprometimento com os seus alunos sempre foram impecáveis" declarou.
Chico como era chamado pelos amigos integrou o Grupo Assessor do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para Elaboração das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCTSP) e coordenou o Grupo de Trabalho (GTCP-CFC) para Convergência das NBCTSP às Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (IPSAS/IFAC) onde conquistou admiração, como da conselheira do CFC, Verônica Cunha de Souto Maior, que frisou "Nosso mestre tinha papel fundamental na disseminação das normas da área pública. Ele foi o grande orquestrador de todo o processo de convergência. Sua contribuição é incomensurável, pois ele teve uma visão e conhecimento contábil acima da média. Perdemos, sem dúvida, um dos maiores nomes da contabilidade pública do País".
A professora Nena Geruza Cei da Universidade Católica de São Paulo (PUC SP), também lamentou a perda do educador, segundo ela a contabilidade perde um grande entusiasta preocupado com a qualidade do ensino e com a formação do futuro profissional. "O professor, como poucos, sempre lutou pela melhoria do ensino nas universidades brasileiras. O ensino da contabilidade está mais pobre hoje, pois perdemos um grande baluarte" complementou.
Francisco Ribeiro, que deixa esposa e três filhos, foi ainda pesquisador associado do Instituto Social Íris e seus estudos envolvem linhas de pesquisas relacionadas aos temas: controle social, teoria da contabilidade, administração pública, controladoria hospitalar e controladoria governamental. Em carta aberta o professor Victor Branco Holanda lamenta a perda do grande profissional.
Carta do professor Victor Holanda:
Assim como muitos, tive o privilégio de conviver com o Prof. Francisco Ribeiro, como colega de classe no doutorado da FEA/USP, como membro do CFC nos grupos de trabalho da área pública e parceiro em vários projetos.
Francisco era empreendedor em tudo que fazia, mas sabia como ninguém mostrar como colocar os sonhos em ação, em transpiração. Francisco era conciliador por vocação, mas não abria mão dos seus princípios e não dissimulava nem escondia suas fortes opiniões, ele assumia as suas escolhas. Chico foi guerreiro nas horas certas, porém sempre gentil, um cavalheiro.
Chico era moderno (fora do seu tempo), multitarefa, multi presença. Como nas reuniões conseguia responder os e-mails de todos os seus multi compromissos ao mesmo tempo em que prestava atenção aos debates? De repente uma dúvida ou polemica surgia e lá vinha Chico com uma solução inovadora, revolucionária e ao mesmo tempo de consenso, colocando os pingos nos "is". Formidável!
Hoje a ausência, um vazio, uma tristeza, (...), luto e a saudade: uma grande perda.
Porém fica mais forte a lição do compromisso até a última gota de energia, o último suspiro. O desejo de estar presente falava mais alto, mesmo que o corpo já debilitado teimasse em não segui-lo, mesmo assim lá estava Chico na palestra, nos eventos, no trabalho e labuta, só mesmo pela fé ele podia.
E que fique em nossas lembranças o seu exemplo e em nossos corações a sua saudade. Mas também a certeza que esta mesma fé inquebrantável te conduza a verdadeira vida eterna na qual você sempre acreditou.
Do amigo,
Victor Holanda
Fonte: Instituto Social Íris



